terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Prefeitura de Barra do Ribeiro cria polêmica ao cobrar “pedágio” para excursões

Veículos com grupos de passageiros precisam pagar para aproveitar praia

Enviar para um amigo
Prefeitura de Barra do Ribeiro cria polêmica ao cobrar “pedágio” para excursões Emílio Pedroso/Agencia RBS
Placas em acessos ao município alertam para a cobrança pouco usualFoto: Emílio Pedroso / Agencia RBS
Banhada pelo Guaíba e pela Lagoa dos Patos, Barra do Ribeiro, no sul do Estado, com suas praias de água morna e mansa, atrai cerca de 3 mil banhistas aos finais de semana, a maior parte oriunda de ônibus de excursões — público que vitamina o pequeno comércio local, mas incomoda moradores. 

Para regulamentar o acesso dos turistas aos balneários, a prefeitura criou dois tipos de taxas cobradas dos veículos de excursão: R$ 200 para ônibus e R$ 100 para vans. Espécie de pedágio local, a cobrança provoca polêmica.

No domingo, Luís Marcelo Fonseca Fernandes, 35 anos, acompanhado da mulher e de quase uma centena de amigos e vizinhos, moradores de Eldorado do Sul, lotaram dois ônibus e foram para Barra do Ribeiro, município de 12,5 mil habitantes. 

Projetavam se refestelar nas areais da Barra, amenizando com mergulhos o calor sufocante que castiga o Rio Grande. O que era para ser um dia de lazer, tornou-se constrangimento.

— Chegamos à Barra e fomos interceptados pela Brigada Militar e funcionários do município. Nos exigiram R$ 200 para entrar — conta Fernandes.

A taxa, eles não sabiam, é cobrada desde a segunda metade de janeiro, conforme o decreto 3.034/12, que tem amparo em uma legislação aprovada em 1994 pelos vereadores.

Assinado pelo prefeito Luciano Boneberg, o texto prevê que, além de pagar para ingressar na cidade, os ônibus deverão permanecer estacionados nas dependências do Acampamento Farroupilha enquanto os visitantes aproveitam a orla.

— Explicamos que os ônibus iriam nos deixar, sairiam e só voltariam no final da tarde, para nos buscar. Não adiantou. Precisamos fazer uma vaquinha para pagar a taxa. Nem nos deram recibo — reclama Fernandes.

De acordo com o prefeito Boneberg, a cobrança atende a um antigo anseio da comunidade, incomodada com ônibus estacionados diante de suas casas, obstruindo garagens, transformados em hotéis ambulantes.

— Nos finais de semana de verão, a cidade chega a receber 20 ônibus e vans. Eles encostam na frente das casas às 5h, o pessoal desembarca e fica por ali, fazendo churrasco na calçada. Isso dura um dia inteiro — pondera o chefe do Executivo local.

E complementa:

— Se querem vir para Barra, que venham. Mas precisamos organizar.

O pano de fundo da polêmica é a política de incentivo a um outro tipo de turismo, um pouco mais sofisticado e disposto a gastar.

— Queremos recuperar 33 cabanas públicas, hoje utilizadas como moradia e para abrigar serviços, e voltar a alugá-las. Mas se eu quiser investir em turismo, não vou conseguir porque a cidade está desorganizada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário