domingo, 26 de fevereiro de 2012

Pesquisadora diz que retomada plena de atividade científica levará de dois a três anos


Coordenadora lamenta morte de militares e a perda de dados armazenados ao longo de quase três décadas de trabalho na região


 

Pesquisadora diz que retomada plena de atividade científica levará de dois a três anos Armada de Chile/Divulgação
Fogo provocou duas mortes, destruiu dados e equipamentos Foto: Armada de Chile / Divulgação

 

Pesquisadora de um dos principais órgãos envolvidos no estudo científico do ambiente antártico, a professora Yocie Yoneshigue Valentin, do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), calcula que a retomada plena da atividade científica brasileira na região levará de dois a três anos, após incêndio ocorrido neste sábado na Estação Comandante Ferraz.

Coordenadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia-Antártico de Pesquisas Ambientais (INCT-APA), ela pretende reunir a direção da instituição e representantes dos órgãos de fomento para avaliar as perdas resultantes do incêndio na Estação Antártica Comandante Ferraz. Criado em 2008 e vinculado à UFRJ, o INCT divide com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Criosfera a condição de instituição de ponta na pesquisa brasileira em solo antártico.

Sobre a extensão do prejuízo, Yocie lamenta em primeiro lugar a perda de vidas, referindo-se à morte do suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo e do primeiro-sargento Roberto Lopes dos Santos.

— Esses dois componentes do Grupo-Base (GB, equipe de trabalho permanente da estação) foram tentar apagar o fogo, entraram na casa de máquinas e certamente morreram carbonizados — afirma.

Do ponto de vista científico, a professora diz que se perderam dados armazenados ao longo de quase três décadas de trabalho na região:

— Cada coleta custa caro em termos de horas de trabalho em condições de frio e vento.

Entre os equipamentos utilizados na estação, estava o aparelho FlowCAM, utilizado na análise de microorganismos contidos em amostras de água. O artefato, adquirido no ano passado por meio de financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), custa US$ 120 mil (cerca de R$ 205 mil) e era o único disponível naquela região da Antártica.

Yocie acredita que os laboratórios tenham sido destruídos, uma vez que estão localizados entre a casa de máquinas e a sala de estar e que esta última foi totalmente consumida pelo fogo:

— O fogo com certeza passou pelos laboratórios.

Questionada sobre se houve falha na segurança da estação, a professora afirma:

— Não descarto. Mas dizer com segurança, não posso dizer. Acredito em fatalidade. Mas não descarto que tenha ocorrido problema com os alarmes.




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