Festival de Gramado terá ingressos mais baratos e premiação em dinheiro
Depois de enfrentar uma das crises mais graves de sua história, Festival tenta se reinventar
Cerimônia de abertura do Festival de 2011
Aos 40, o Festival de Cinema de Gramado quer começar vida nova. A prefeitura
da cidade, que a partir de agora toma a frente da organização do evento,
anunciou na semana passada o trio de curadores desta edição – os críticos José
Wilker, Rubens Ewald Filho e Marcos Santuario. Entre as novidades anunciadas,
está a premiação em dinheiro aos vencedores.
O novo cenário do festival está se desenhando desde que, no ano passado, a antiga proponente do evento, a Associação de Cultura e Turismo de Gramado (ACTG), teve as contas bloqueadas às vésperas do evento, por estar envolvida em denúncias de possíveis irregularidades no Natal Luz. Como a ACTG foi impedida de receber recursos das leis de incentivo à cultura, a organização passou a novas mãos, e o festival foi reformulado.
Coordenado pela secretária de Turismo de Gramado, Rosa Helena Volk, o festival chega a 2012 com a proposta de ser "mais democrático", segundo a nova organização. Não há mais a figura de um presidente, as contas e os contratos serão fiscalizados por um Conselho Gestor de Eventos de Gramado e o planejamento ficará a cargo da produtora UM Cultural, com participação de entidades de cinema.
– Nunca houve um diálogo tão aberto quanto está havendo agora, com as demandas das entidades sendo atendidas – elogia o diretor do Instituto Estadual de Cinema (Iecine), Luiz Alberto Cassol, que se uniu a Fundacine, Associação Profissional de Técnicos Cinematográficos (APTC), Associação dos Críticos de Cinema do RS, Sindicato da Indústria Audiovisual do RS e Cinemateca Paulo Amorim na estruturação do novo Festival de Gramado.
Antigas reivindicações, como espaço para a mostra dos curtas gaúchos no Palácio dos Festivais, ingressos mais baratos para as exibições dos longas-metragens em competição e premiação em dinheiro em diferentes categorias, foram atendidas e se destacam como as grandes novidades para 2012. Ao todo, serão R$ 350 mil em prêmios para 10 categorias, com proposta de R$ 120 mil para o melhor filme nacional e R$ 80 mil para o melhor longa estrangeiro.
– Queremos que essa edição seja comemorativa não somente pelo prestígio, mas por renovar o espaço para o cinema – afirma a secretária Rosa Helena.
Com curadores com visibilidade na mídia e no meio cinematográfico, o festival pretende intensificar o intercâmbio com outros eventos similares, trazendo a Gramado diretores, produtores e curadores de outros festivais.
– Tenho a convicção de que esta edição vai ser um divisor de águas, por ter mostras importantes dentro do Palácio dos Festivais e um intercâmbio relevante com a América Latina – aposta Cassol.
Antes da concretização do novo projeto, há um desafio mais imediato para a organização. Dívidas referentes ao ano passado, que chegaram a R$ 3 milhões, ameaçaram a realização da edição comemorativa dos 40 anos: as indefinições geraram atrasos na captação de R$ 4,1 milhões pela Lei de Incentivo à Cultura do Estado e pela Lei Rouanet, do Ministério da Cultura – e a realização do evento depende dessa verba, complementada em R$ 510 mil pela Prefeitura de Gramado.
Os organizadores estão confiantes, porém, na aprovação e captação da verba necessária.
José Wilker
Veja entrevista com José Wilker, curador do 40º Festival de Cinema de Gramado: "Gosto de cinema que provoque, encante"
Aos 64 anos, o ator e diretor José Wilker tornou pública a sua cinefilia atuando como comentarista em transmissões da cerimônia do Oscar. Depois de participar de várias edições do Festival de Cinema de Gramado, inclusive como apresentador, Wilker estreia agora como um dos curadores do evento. De sua casa, no Rio, ele conversou com ZH:
Zero Hora – Como o senhor recebeu o convite para ser um dos curadores do Festival de Gramado?
José Wilker – Recebi com muita simpatia. Gramado é uma cidade muito hospitaleira, na qual estive inúmeras vezes como apresentador do Festival.
ZH – Como o senhor avalia a trajetória do festival, que completa 40 edições neste ano?
Wilker – Entendo que o Festival tem neste ano a oportunidade de avaliar os últimos 40 anos e projetar os próximos 40. Vou para Gramado com o olhar de estrangeiro porque até então eu chegava lá e via tudo pronto. E lembro de momentos em que a única alternativa que a gente via no cinema estava em Gramado, que sobreviveu a todas as crises nacionais nesses anos. Foi muito importante para o cinema nacional e as produções sul-americanas.
ZH – Como será o perfil curatorial desta edição? Vão apostar em filmes que tenham um perfil mais popular ou privilegiar produções autorais?
Wilker – Ainda não tivemos a oportunidade de conversar sobre isso. Teremos uma reunião nos próximos dias. Mas eu, particularmente, gosto do cinema, não separo o que pode ser autoral ou não. Gosto de cinema que provoque, encante.
ZH – Qual será a importância dos filmes latino-americanos a partir de agora?
Wilker – O Brasil tem sido frequentemente homenageado em festivais da América Latina, mas percebo que o país tem um desconhecimento grave em relação ao cinema da América Latina. Esse contato é da maior importância. Eles sabem, admiram, querem saber em que direção vai o cinema brasileiro, e nós nem sempre os valorizamos
O novo cenário do festival está se desenhando desde que, no ano passado, a antiga proponente do evento, a Associação de Cultura e Turismo de Gramado (ACTG), teve as contas bloqueadas às vésperas do evento, por estar envolvida em denúncias de possíveis irregularidades no Natal Luz. Como a ACTG foi impedida de receber recursos das leis de incentivo à cultura, a organização passou a novas mãos, e o festival foi reformulado.
Coordenado pela secretária de Turismo de Gramado, Rosa Helena Volk, o festival chega a 2012 com a proposta de ser "mais democrático", segundo a nova organização. Não há mais a figura de um presidente, as contas e os contratos serão fiscalizados por um Conselho Gestor de Eventos de Gramado e o planejamento ficará a cargo da produtora UM Cultural, com participação de entidades de cinema.
– Nunca houve um diálogo tão aberto quanto está havendo agora, com as demandas das entidades sendo atendidas – elogia o diretor do Instituto Estadual de Cinema (Iecine), Luiz Alberto Cassol, que se uniu a Fundacine, Associação Profissional de Técnicos Cinematográficos (APTC), Associação dos Críticos de Cinema do RS, Sindicato da Indústria Audiovisual do RS e Cinemateca Paulo Amorim na estruturação do novo Festival de Gramado.
Antigas reivindicações, como espaço para a mostra dos curtas gaúchos no Palácio dos Festivais, ingressos mais baratos para as exibições dos longas-metragens em competição e premiação em dinheiro em diferentes categorias, foram atendidas e se destacam como as grandes novidades para 2012. Ao todo, serão R$ 350 mil em prêmios para 10 categorias, com proposta de R$ 120 mil para o melhor filme nacional e R$ 80 mil para o melhor longa estrangeiro.
– Queremos que essa edição seja comemorativa não somente pelo prestígio, mas por renovar o espaço para o cinema – afirma a secretária Rosa Helena.
Com curadores com visibilidade na mídia e no meio cinematográfico, o festival pretende intensificar o intercâmbio com outros eventos similares, trazendo a Gramado diretores, produtores e curadores de outros festivais.
– Tenho a convicção de que esta edição vai ser um divisor de águas, por ter mostras importantes dentro do Palácio dos Festivais e um intercâmbio relevante com a América Latina – aposta Cassol.
Antes da concretização do novo projeto, há um desafio mais imediato para a organização. Dívidas referentes ao ano passado, que chegaram a R$ 3 milhões, ameaçaram a realização da edição comemorativa dos 40 anos: as indefinições geraram atrasos na captação de R$ 4,1 milhões pela Lei de Incentivo à Cultura do Estado e pela Lei Rouanet, do Ministério da Cultura – e a realização do evento depende dessa verba, complementada em R$ 510 mil pela Prefeitura de Gramado.
Os organizadores estão confiantes, porém, na aprovação e captação da verba necessária.
José Wilker
Veja entrevista com José Wilker, curador do 40º Festival de Cinema de Gramado: "Gosto de cinema que provoque, encante"
Aos 64 anos, o ator e diretor José Wilker tornou pública a sua cinefilia atuando como comentarista em transmissões da cerimônia do Oscar. Depois de participar de várias edições do Festival de Cinema de Gramado, inclusive como apresentador, Wilker estreia agora como um dos curadores do evento. De sua casa, no Rio, ele conversou com ZH:
Zero Hora – Como o senhor recebeu o convite para ser um dos curadores do Festival de Gramado?
José Wilker – Recebi com muita simpatia. Gramado é uma cidade muito hospitaleira, na qual estive inúmeras vezes como apresentador do Festival.
ZH – Como o senhor avalia a trajetória do festival, que completa 40 edições neste ano?
Wilker – Entendo que o Festival tem neste ano a oportunidade de avaliar os últimos 40 anos e projetar os próximos 40. Vou para Gramado com o olhar de estrangeiro porque até então eu chegava lá e via tudo pronto. E lembro de momentos em que a única alternativa que a gente via no cinema estava em Gramado, que sobreviveu a todas as crises nacionais nesses anos. Foi muito importante para o cinema nacional e as produções sul-americanas.
ZH – Como será o perfil curatorial desta edição? Vão apostar em filmes que tenham um perfil mais popular ou privilegiar produções autorais?
Wilker – Ainda não tivemos a oportunidade de conversar sobre isso. Teremos uma reunião nos próximos dias. Mas eu, particularmente, gosto do cinema, não separo o que pode ser autoral ou não. Gosto de cinema que provoque, encante.
ZH – Qual será a importância dos filmes latino-americanos a partir de agora?
Wilker – O Brasil tem sido frequentemente homenageado em festivais da América Latina, mas percebo que o país tem um desconhecimento grave em relação ao cinema da América Latina. Esse contato é da maior importância. Eles sabem, admiram, querem saber em que direção vai o cinema brasileiro, e nós nem sempre os valorizamos
Nenhum comentário:
Postar um comentário