sexta-feira, 18 de maio de 2012

Falta de estabilidade política mina crédito da Grécia


Com governo provisório sem poder, nação vive sob as sombras do calote até nova tentativa de eleição


 

Falta de estabilidade política mina crédito da Grécia Kostas Tsironis/AP
Clima político e econômico é sobrio no país do Parthenon Foto: Kostas Tsironis / AP

Um símbolo mostra o isolamento e a estagnação grega neste momento: o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou a suspensão de seus contatos com a Grécia até que sejam realizadas as novas eleições em 17 de junho, apesar da formação de um governo interino em Atenas.
Até lá, o berço da democracia está virtualmente paralisado.
Enquanto a data não chega, os cofres do Tesouro minguam e os gregos correm para retirar seu dinheiro dos bancos temendo a saída do país da zona do euro. No momento em que o país deveria apresentar um cronograma de reformas para receber o pacote de US$ 130 bilhões definido em março pela União Europeia e o FMI, os gregos esperam. E o mundo pressiona.
O porta-voz do FMI, David Hawley, descartou o governo provisório empossado na quarta-feira como interlocutor. O juiz Panayotis Pikramenos, que assumiu como primeiro-ministro interino e deu posse a 16 ministros, não terá poderes para decisões políticas — sua missão é manter o funcionamento das instituições até as eleições. O Executivo não deverá emitir decretos e todas as licitações estão suspensas.
Na quinta, a agência Fitch baixou a nota de qualificação da dívida da Grécia, de B- para CCC (um dos níveis mais baixos antes do calote), o que demonstra o elevado risco de o país não se manter como membro da União Econômica e Monetária.
Apesar das ameaças da União Europeia de que a Grécia será empurrada para fora da zona do euro se desistir das reformas, o partido de esquerda radical Syriza, contrário às medidas de austeridade firmadas nos compromissos internacionais, é apontado como o favorito. Na quinta, o líder do Syriza, Alexis Tsipras, afirmou que, se Atenas seguir o receituário da UE, viverá o "inferno". Porém, ele também prevê um "pesadelo" se a nação perder a moeda comum. Ele alega que a operação de ajuda não garantiu uma recuperação, mas jogou o país na pior recessão desde a II Guerra Mundial.

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