sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Artigo do projeto de reajuste do mínimo causa polêmica no Senado

Pela proposta, aumento seria definido por decreto


A polêmica do salário mínimo não deve acabar, mesmo com sua aprovação pelo Senado. Um dos artigos do projeto do governo diz que a política de reajuste do salário mínimo, que vai vigorar até 2015, será definida por meio de decreto presidencial, ou seja, até aquele ano, o reajuste do mínimo não precisaria passar pelo Congresso para ser aprovado, pois a lei estabelece um aumento anual, a ser definido pelo presidente da República.

Parlamentares do PTB, PPS e PSDB se posicionaram contra a proposta e afirmaram que o item é inconstitucional. Para o senador Roberto Requião (PMDB-PR), a Constituição define que o reajuste do mínimo deve ocorrer por meio de lei.

— Salário mínimo é lei, e lei é um ato jurídico complexo, com a participação do Executivo, discussão no Legislativo e a sanção do presidente. Decreto não é lei e o Congresso não pode abrir mão de debater, todos os anos, o reajuste do mínimo.

O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), afirma que o projeto aprovado na Câmara estabelece reajuste do salário mínimo para os próximos anos, como diz a Constituição, e que o decreto vai apenas apresentar os valores corrigidos e que não há inconstitucionalidade.

— A oposição está distorcendo a proposta. O salário mínimo está sendo definido por lei, e o que o decreto vai fazer é explicitar o valor da correção monetária e do crescimento do PIB, baseado em dados do IBGE — disse.

Para o professor em Direito Constitucional Paulo Blair, o artigo não é inconstitucional, pois o projeto cita o reajuste por decreto apenas por um período.

— Há possibilidade, no processo legislativo, de serem delegadas, ao Executivo e até ao Judiciário, dentro da lei, a fixação de elementos para a completa execução dessa lei. Poderia considerar inconstitucional se houvesse uma definição ad eternum, infinita, mas há parâmetros para isso.

PSDB e PPS já sinalizaram que irão ingressar com ação no Supremo Tribunal Federal se a proposta for aprovada no Senado e sancionada pela presidente Dilma Rousseff.







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