sábado, 12 de fevereiro de 2011

Comida e abrigo sob ameaça

ONG que administra o restaurante popular e o Albergue Municipal reclama de verbas em atraso

O Albergue Municipal e o restaurante popular de Santa Maria podem fechar as portas no final do mês. Em janeiro, a organização não governamental (ONG) Ação da Cidadania do Rio Grande do Sul, que administra os dois estabelecimentos populares, emitiu aviso prévio de demissão aos 28 funcionários desses locais.

A organização alegar ter déficit de R$ 30 mil por mês com os serviços. Em dezembro, uma carta foi enviada à Secretaria Municipal de Assistência Social, Cidadania e Direitos Humanos solicitando a revisão do convênio com o município.

O Albergue Municipal, que recebe, em média, 50 pessoas por noite, está no limite da sua capacidade. O convênio entre prefeitura e ONG previa uma média de 40 assistidos. Com isso, a organização precisou aumentar o quadro de funcionários, passando de 12 para 16. Daí para a frente, os gastos com o albergue só aumentaram. De acordo com a gerente da ONG em Santa Maria, Melissa Beargmann, o prejuízo chega a R$ 24 mil por mês. O dinheiro é usado com manutenção, compra de móveis, roupas de cama e aluguel do imóvel, situado na Avenida Rio Branco. O município repassa cerca de R$ 19,7 mil por mês à ONG.

– Esse valor realmente é baixo. Estamos estudando uma alternativa – admite a secretária de Assistência Social, Cidadania e Direitos Humanos, Marta Zanella.

Reajuste – O problema se agrava quando os gastos do albergue se somam aos do restaurante popular. A ONG alega ter déficit mensal de R$ 6 mil, pois o valor do almoço (R$ 1), utilizado para pagar o salário dos 12 trabalhadores, estaria muito baixo. A ONG quer passar o prato para R$ 1,50.

A prefeitura deveria repassar em torno de R$ 17 mil a cada seis meses para a manutenção do restaurante. Melissa diz só ter recebido o primeiro pagamento, há quase um ano.

A prefeitura também é responsável por enviar os materiais de higiene ao restaurante, cujos alimentos são repassados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Ano passado, a situação se complicou.

– Nós chegamos a lavar os pratos com sabão em pó, porque não tinha detergente – revela Melissa.

A secretária Marta diz desconhecer essa situação e garante que nunca faltou material de limpeza.

O restaurante recebe, em média, 770 pessoas por dia, sendo que 70 não pagam o almoço. Segundo Marta, a prefeitura está reavaliando o preço das refeições.

Apesar de a prefeitura acenar que irá rever o convênio, Melissa promete cumprir o aviso dos funcionários se não receber uma posição oficial.

– A ONG não tem mais de onde tirar dinheiro – desabafa Melissa.



Obra ganha força na Rio Branco

Mais máquinas chegaram

Na sexta-feira, o som da motosserra deu lugar ao ronco dos motores de máquinas e caminhões na Avenida Rio Branco. Parte do maquinário – uma retroescavadeira e um caminhão – chegou pela manhã e deu início à retirada dos tocos e raízes das árvores que foram cortadas no canteiro central da via. À tarde, o trabalho ganhou reforço pesado, com a chegada de outra retroescavadeira mais potente e com esteira. A atividade se concentrou no trecho entre as ruas Venâncio Aires e Andradas.

Os veículos ocuparam parte da calçada do canteiro e da rua, no sentido Centro-bairro, onde ficavam os camelôs. A área foi demarcada por cones. A sinalização deixou o tráfego em meia-pista, mas não impediu a passagem de pedestres, que, curiosos, aproximavam-se para ver o serviço. Perto dali, a lojista do Shopping Independência Luciana Madalosso, 36 anos, observava o trabalho.

– Se a gente teve de sair daqui (avenida), eles (prefeitura) têm de arrumar mesmo. Acho que vai ficar bonito – opinou Luciana.

Durante o trabalho, os fios de rede elétrica dos postes que iluminam a Catedral Diocesana foram cortados para evitar acidentes.

Tapumes – Os motoristas que trafegam pelo Centro devem ficar atentos porque o serviço continuará neste sábado na segunda quadra da avenida (entre Andradas e Silva Jardim). Depois da remoção dos tocos, a equipe de pavimentação da empresa Líder, de Lajeado, responsável pela revitalização, deve retirar os meios-fios da calçada. Os funcionários farão a perfuração dos pontos onde serão colocados os moirões que sustentarão os tapumes que cercarão o canteiro de obras. As estruturas devem ser erguidas na terça-feira.

Nessa fase também serão retiradas as pedras portuguesas do canteiro. Elas serão depositadas em uma área do local e lavadas. A calçada receberá uma nova base, em concreto, onde serão assentadas as pedras. Uma terceira equipe fará os serviços elétrico e hidrossanitário, e uma última cuidará do paisagismo. O prazo para a conclusão da obra é de 10 meses.


PROBLEMAS QUE SE REPETEM

‘Diário’ percorreu quatro unidades com grande demanda na cidade para mostrar o atendimento e os principais problemas

Superlotação e sobrecarga dos poucos funcionários existentes. Essas foram as reclamações mais frequentes que a equipe do Diário ouviu ao percorrer as quatro unidades que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) com maior demanda da cidade. As reportagens mostram o que pôde ser observado em cinco horas em cada um dos locais, as histórias de pacientes, o trabalho dos funcionários e o que diz a prefeitura a respeito dos problemas e das possíveis soluções. Na primeira reportagem, publicada no final de semana passado, foi mostrada a situação da Unidade de Saúde da Vila Kennedy e da Unidade de Saúde Ruben Noal, na Tancredo Neves. Neste edição, você confere como funcionam os dois maiores pronto-atendimentos do município: o Pronto-Atendimento (PA) do Patronato e o Pronto-Socorro (PS) do Hospital Universitário (Husm).

Há anos, a realidade no PA do Patronato e no PS do Husm é a mesma (leia mais nestas páginas). A afirmação é de quem trabalha no local e convive, diariamente, com a superlotação e a falta de pessoal. Em consequência disso, vêm a demora no atendimento e muitas reclamações dos usuários. É possível observar servidores se desdobrando para atender uma demanda que, muitas vezes, nem deveria estar ali. Segundo os profissionais, grande parte dos usuários que vai até os pronto-atendimentos poderia ser atendida na rede básica de saúde, se os postos fossem mais resolutivos.

Para os gestores do município, a situação vai mudar a partir deste ano, com a abertura da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e dos novos leitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Hospital de Caridade. A conclusão do hospital regional também é promessa para o fim do problema da falta de leitos (leia mais na página 18).



Nem sempre são emergências

Os pronto-atendimentos (PA) municipais, adulto e infantil, no bairro Patronato, são o gargalo da saúde em Santa Maria. Além dos casos de urgências, para os quais o local é voltado, as unidades recebem pacientes que deveriam ir para a rede básica e outros que poderiam estar em hospitais e não conseguem vagas.

Na tarde do dia 2 de fevereiro, a equipe do Diário encontrou Andrea da Silva, 35 anos, no PA Infantil. Ao lado de um dos berços da ala de internações, ela zelava pelo sono da sobrinha Diessica Santos da Silva, de 3 meses. O bebê nasceu com paralisia cerebral. Mesmo antes do parto, a família já sofria o drama da falta de leitos na cidade.

– Procuramos o Hospital Universitário (Husm), porque sabíamos que a Casa de Saúde não tem tantos recursos. Ela (irmã de Andrea) chegou lá com contrações, mas mandaram para Casa de Saúde. Fizeram uma cesariana. Só que a nenê teve uma parada cardíaca depois de nascer e colocaram no respirador. Aí começaram (médicos) a procurar uma UTI Neonatal – conta a tia.

A vaga só foi encontrada em um hospital de Passo Fundo, onde Diessica ficou por um mês. De lá, foi transferida para o Husm por mais uma semana. Depois disso, ocorreram novas internações, outras paradas respiratórias e muitos exames. Até que, no dia 31 de janeiro, a menina começou a ter convulsões, e Andrea buscou socorro no PA Infantil.

No local, a pequena fez mais exames, que detectaram uma infecção na bexiga. Ela foi medicada e permaneceu internada. Enquanto isso, a equipe do PA tentava conseguir um leito em UTI.

– Ela precisa de atenção 24 horas. Tenho marido, dois filhos e a irmã dela ainda para cuidar – ressaltava Andrea, enquanto acariciava a bebê.

– Internamos aqui e, quando estão melhores (os bebês), mandamos para a Casa de Saúde. Porque lá é um hospital, mas não tem estrutura para atender 24 horas, nem UTI nem médico pediatra, só de sobreaviso – comenta a pediatra Rosangela Lovato.

Lá pela metade da tarde, Diessica foi transferida para a Casa de Saúde.

No outro lado do prédio, no PA Adulto, uma cena pouco comum: a emergência, onde chegam os pacientes graves, permaneceu a maior parte do tempo vazia. Durante as cinco horas que a equipe do Diário passou no local, um embriagado ocupou uma das macas, outras dezenas de pessoas consultaram, fizeram exames laboratoriais e de Raio X, fizeram curativos e foram medicados. Eles fazem parte da maioria que procura o local para procedimentos simples.

– Isso é um problema sério de muitos anos. O pessoal vem aqui porque tem eletro, Raio X, laboratório. É a falta de resolutividade dos postos. Não temos o número certo de funcionários, mas dá para ir levando. Só que o pessoal vem para cá (dos postos) e sobrecarrega os daqui (servidores) – comentou a enfermeira Luciana Vey.

Casos de urgência recebem prioridade no atendimento. O servente de pedreiro Alessandro Leite Farias, 25 anos, já havia procurado o PA três dias antes. Seus sintomas eram febre alta (39º C), dores na cabeça e pelo corpo e paralisia nos braços. Os médicos levantaram a suspeita de leptospirose. Ele passou por exames, foi medicado e liberado. Naquela tarde de quarta, ele retornou. Tinha os mesmos sintomas. Foi atendido rapidamente e repetiu os exames de sangue, urina e Raio X. Foi colocado em uma maca e medicado contra a dor.

A chegada de feridos a faca ou tiros e vítimas de acidentes de trânsito é frequente no PA. Basta ficar algumas horas pelos corredores para acompanhar uma situação dessas. Naquela tarde, um homem chegou na emergência, trazido pelos bombeiros. Ele havia se envolvido em uma briga e tinha um corte de faca no supercílio.

Deficiência – Entre reclamações explícitas ou sussurros pelos corredores, os usuários se queixaram da demora no atendimento. Mais uma vez, o problema é a falta de profissionais. Dois médicos clínicos, dois estagiários do curso de Medicina da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), uma enfermeira e quatro técnicos atendem às emergências, aos procedimentos e aos 13 leitos no PA Adulto. Naquela tarde, apenas seis estavam ocupados.

– Às vezes, estão todos cheios (os leitos) e mais as macas. E são os mesmos para atender – disse um dos funcionários.

No PA Infantil são dois pediatras, três técnicos e uma enfermeira.

– Há poucos especialistas na cidade porque pagam muito pouco. Os que saem (médicos) não são substituídos. As coisas não andam por falta de vontade. Estou aqui há 11 anos e é a mesma coisa. Os gestores ficam sentados em suas mesas e não sabem o que acontece aqui. Aí tem a promessa do hospital regional, mas e agora? – argumenta Rosangela.

Diessica ficou internada na Casa de Saúde até a última segunda-feira. Na quinta, à tarde, a menina estava bem e em casa com a tia. Alessandro recebeu medicação no PA adulto até às 21h e foi liberado. Ele ainda aguarda o resultado do exame que pode confirmar ou não a leptospirose.


Dengue

Equipes do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS) estarão nas praias de Imbé, Arroio do Sal e São Lourenço do Sul, neste sábado, das 9h às 16h, para reforçar o combate à dengue



A superlotação dá uma trégua no Husm

A visão que a equipe do Diário teve ao entrar no Pronto-Socorro (PS) do Hospital Universitário de Santa Maria (Husm), na manhã de 26 de janeiro, surtiu como um alívio. Apesar das diversas macas no corredor de entrada, a sala onde ficam os leitos estava sem as tradicionais camas improvisadas e não havia ninguém em cadeiras. Em tempos de superlotação, chegou a ter 60 pacientes no local que tem capacidade para 22. Naquela manhã, havia 35, em um dia em que as consultas seguiam suspensas. Para a coordenadora de enfermagem do PS, Michaela Nogueira Lampert, a mudança no ambiente faz parte de uma alteração na gestão da unidade.

O atendimento no pronto-socorro começa no acolhimento. Todos os pacientes que chegam têm seus problemas classificados por cores, de acordo com a gravidade da situação: verde para consultas clínicas, azul para investigar dores antigas, amarelo para dores intensas e vermelho para urgências e emergências, como acidentados e enfartados, por exemplo. Depois de receberem uma espécie de selo com a “cor do problema”, as fichas são repassadas aos médicos. Alguns ficam em uma sala em macas e poltronas.

Segundo a coordenadora, a maioria dos casos é de pequena gravidade e deveria ser atendido no Pronto-Atendimento (PA) Municipal, no bairro Patronato:

– Eles (pacientes menos graves) acabam afogando o PS e têm de aguardar horas para serem atendidos, porque os casos de emergência têm prioridade.

Michaela lembra que, além dos usuários de Santa Maria, ainda existem os que chegam de outros municípios. O Husm é referência na região, mas alguns pacientes vêm de cidades que nem estão na área de abrangência. Naquele dia, nos registros do computador, havia pessoas de Sapucaia e Cascavel (PR). A média de atendimentos é de 80 por dia.

A situação é mais confusa no corredor que leva até a sala dos leitos. Apesar de amplo, o espaço fica obstruído por macas encostadas nas paredes laterais. Naquela manhã, havia 13 delas. Além dos pacientes deitados, o lugar era ocupado por familiares e funcionários. A esses cabe ainda outra tarefa, a de manobrar as macas de um lado para outro. Mas a situação já foi muito pior.

– Não tínhamos onde colocar as emergências. Aí pedíamos para alguém que estava melhor sentar em uma cadeira para dar o leito para outro paciente – diz a coordenadora.

De acordo com Michaela, a privacidade também melhorou no local. Há cinco meses, foi montada uma sala de banho. Antes, a higiene dos pacientes era feita no corredor.

Ainda há uma sala que seria para emergências que permanece fechada por falta de funcionários. Atualmente, são quatro ou cinco técnicos em enfermagem e dois enfermeiros por turno, com a ajuda de oito bolsistas.

– O trabalho é intenso, e muitos funcionários acabam adoecendo pela frustração de não conseguir atender bem o paciente – declara a enfermeira.

Sem leitos – Alguns pacientes ficam tanto tempo aguardando vagar um leito no hospital que acabam se recuperando ali mesmo. Foi o que ocorreu com Márcia Eliana Ruviaro Grendene, 31 anos. Ela mora em Itajaí (SC). Veio passar férias na casa da mãe, em Faxinal do Soturno. No dia 29 de dezembro, teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Márcia chegou a ser levada ao Hospital São Roque, mas, devido à gravidade do caso, foi transferida para Husm. Fez tomografia, medicação e passou um mês em um dos leitos do PS.

– Sempre fui bem atendida aqui. O único problema é a superlotação – declarou Márcia.



Muitas apostas para o futuro

Se a estrutura atual da saúde em Santa Maria não é boa, as obras em andamento na cidade apontam para um futuro animador. A construção do hospital regional, na Região Oeste, a abertura da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), na Zona Norte, e a ativação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que vai atender as áreas urbana e rural, são apostas do município e do governo do Estado para melhorar o atendimento à saúde. Mais do que isso, a abertura de leitos no hospital regional e no Hospital de Caridade Astrogildo de Azevedo deve beneficiar moradores de toda a região.

A curto prazo, o Samu deve ser o primeiro a ser implantado. As cinco ambulâncias, compradas pelo governo federal e repassadas pelo governo do Estado – três básicas recebidas em junho de 2010 e duas de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) vindas em novembro do ano passado –, estão no pátio da Secretaria Municipal de Saúde. A prefeitura comprou os materiais para equipar os veículos, mas a empresa vencedora da licitação ainda não os entregou. A parceria entre a prefeitura e a Associação Franciscana de Assistência à Saúde (Sefas) para administrar o serviço já foi acertada, mas o convênio não foi assinado. A Sefas enviou currículos de cerca de 55 profissionais (médicos, enfermeiros, técnicos e motoristas) para a Secretaria Estadual da Saúde. A entidade aguarda aprovação para dar início ao treinamento do pessoal. Só aí o serviço será colocado em funcionamento. A projeção da prefeitura é para março. A manutenção será feita com recursos federais (cerca de R$ 90,7 mil) e estaduais (em torno de R$ 53,9 mil). Os valores serão repassados mensalmente.

Outro reforço que deve ocorrer em meados de março é a abertura de 132 leitos em baixa e média complexidade que estão sendo construídos pelo Hospital de Caridade e vão atender pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os dois andares onde ficarão os quartos – com três leitos e um banheiro em cada, num total de 66 leitos em cada andar – devem ser entregues até o final de fevereiro. Então, os quartos serão mobiliados e preparados para receber os usuários. A provedoria do hospital ainda trata de ajustes para a contratualização dos leitos com a Secretaria Estadual de Saúde. Além do atendimento pelo SUS, o novo hospital terá bloco cirúrgico e UTI adulto com 10 leitos.

UPA – No caso da UPA, erguida ao lado da Casa de Saúde, no bairro Perpétuo Socorro, a expectativa é para médio prazo. O secretário de Saúde, José Haidar Farret, prefere não falar em datas. Acontece que, mesmo tendo sido entregue em setembro, pela construtura, o prédio continua fechado. Falta fazer a adequação da rede elétrica externa e a construção de uma ligação entre a unidade e o hospital. A prefeitura já tem o projeto e deve abrir, em breve, licitação para execução das obras. O problema maior é a falta de servidores para atuar no local. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, serão precisos 145 ou 187 servidores, dependendo da carga horária dos médicos. Apesar de não estar definida, assim como o Samu, a administração da unidade também deve ficar com a Sefas. Depois de aberta, o custo de manutenção, que inclui pagamento dos funcionários, deve ficar em torno de R$ 500 mil por mês. O valor deverá ser dividido entre os governos federal (R$ 250 mil), estadual (R$ 125 mil) e municipal (R$ 125 mil).

Regional – Mais distante, a finalização do hospital regional está prevista para a segunda metade deste ano. O projeto foi anunciado em 2003, mas a obra só começou a virar realidade em março de 2010.

Depois de pronto, o hospital, orçado em R$ 36,3 milhões, deverá beneficiar 1 milhão de pessoas em 40 municípios das regiões Central e Oeste do Estado. O prédio está sendo construído em um terreno de 6,4 hectares, na Rua Florianópolis, no bairro Parque Pinheiro Machado. A instituição terá quatro blocos, cada um com dois pavimentos e subsolo. O projeto arquitetônico prevê que esses blocos ou prédios sejam independentes, divididos em setores que poderão ser construídos também em etapas diferentes.

Serão 277 leitos – 240 de internação e 37 de UTI. O complexo deve ser referência em atendimentos de alta complexidade e de reabilitação física e atenderá as especialidades de clínicas médica, cirúrgica, obstétrica, pediátrica, reabilitação e psiquiátrica.

Conforme a Secretaria Estadual de Saúde, até o momento foram concluídos 20% da obra. Estão sendo executadas as estruturas (esqueleto, vigas) dos blocos B, C e D. Do bloco A, foram concluídas a cobertura e as estruturas e está sendo feita a parte de alvenaria.



E a rede básica?

Na rede básica municipal, algumas ações estão em andamento para melhorar o atendimento, como implantação do ponto eletrônico e informatização dos postos. Outras estão sendo pensadas, como a criação do terceiro turno (noite) em mais unidades – atualmente, são três.

Segundo o secretário de Saúde, José Haidar Farret, está nos planos do município a criação de uma espécie de convênio, semelhante aos particulares, onde os especialistas seriam credenciados e atenderiam a demanda do SUS. Para Farret, também é preciso aumentar salários e diminuir carga horária para médicos da rede, mas a mudança esbarraria na Lei de Responsabilidade Fiscal. Ainda conforme o secretário, o município estaria trabalhando para resolver o problema da falta de leitos.

– Já temos uma comissão da prefeitura tratando com o Hospital Universitário, a 4ª Coordenadoria Regional de Saúde e com diretores de hospitais da cidade para regular os leitos para, dentro de quatro meses, não faltar mais leitos. Lá por abril ou maio, não deve haver mais falta de leitos, inclusive com a criação da central de leitos – declara o gestor.

De um modo geral, os investimentos físicos na área da saúde são visíveis. O problema é que o investimento no setor de pessoal não tem acompanhado o estrutural. O que vemos na cidade são postos reformados e ampliados, novos serviços prestes a serem abertos e poucas contratações. A prefeitura alega dificuldade em encontrar profissionais, o que também atingiria a rede privada.

As saídas encontradas têm sido os contratos emergenciais – no programa Estratégia Saúde da Família (ESF), 42 cargos serão preenchidos dessa forma – e a terceirização do serviço – que deverá ocorrer com o Samu e a UPA. Enquanto isso, o edital para realização de concurso público para a saúde ainda não foi publicado, mesmo tendo diante do compromisso assumido junto ao Ministério Público do Trabalho para que isso ocorresse até o final de janeiro.

Apesar da reclamação da prefeitura de que faltam profissionais no mercado de trabalho, 460 pessoas se inscreveram para seleção do ESF, entre janeiro e fevereiro deste ano. A deficiência maior está na área médica. Somente 10 médicos se candidataram para as 11 vagas.

Atualmente, o quadro de pessoal da saúde no município tem 145 médicos. Além disso, existem 51 enfermeiros, 102 técnicos e 40 dentistas.


Exército egípcio retira barricadas da Praça Tahrir

Civis colaboram na limpeza do local, epicentro da revolta que derrubou o presidente Mubarak



O Exército egípcio iniciou neste sábado a retirada das barricadas da Praça Tahrir, no Cairo, epicentro da revolta que provocou a queda do presidente Hosni Mubarak.

Os militares começaram o processo com as barreiras situadas ao lado do Museu Nacional egípcio, na entrada norte da praça.

O Exército também retirava das ruas os carros queimados nos confrontos entre as forças de segurança e os manifestantes pró e contrários a Mubarak. Alguns civis colaboravam na limpeza da praça.

Os tanques posicionados nas ruas e avenidas que levam à Praça Tahrir foram deslocados para liberar a passagem.

Milhares de egípcios eufóricos permaneciam reunidos neste sábado na praça, um dia depois da renúncia de Mubarak pela pressão das ruas.

Mosaico: os protestos no Egito em imagens:




>>>Confira a cronologia dos incidentes:

Dia 24 de janeiro:
Um homem de 50 anos toca fogo em si mesmo em frente ao Parlamento, no Cairo, numa possível reprodução do suicídio de um jovem tunisiano em meados de dezembro que desencadeou a revolta e subsequente derrubada do presidente Zine El Abidine Ben Ali. Nos dias seguintes, mais três egípcios fazem o mesmo — um deles, de 25 anos, não resiste aos ferimentos e morre.


Foto: Martin Bureau, AFP

Dia 25 de janeiro:
Insuflados pelo líder da oposição, Mohamed ElBaradei, milhares de pessoas tomam as ruas do Egito pedindo a renúncia do presidente do país, Hosni Mubarak. Nos confrontos com a polícia, dois manifestantes morrem em Suez e um policial é morto no Cairo.

Dia 26 de janeiro:
As manifestações se espalham dos grandes centros para cidades menores, aumentando em número e violência. No Cairo, um policial e um manifestante são mortos, enquanto em Suez 55 protestantes e 15 homens da força anti-motim são feridos.

Dia 27 de janeiro:
Diante do saldo violento, com mais um jovem morto em Sinai, a Casa Branca cobra providências do governo do Cairo para evitar os embates, enquanto a União Européia chama atenção para o direito de protestas da população.

Dia 28 de janeiro:
O saldo da violência chega a 13 mortos, centenas de feridos e quase mil presos. Os protestos aumentam e manifestantes tocam fogo no prédio do governo em Alexandria e na sede do Partido Democrático Nacional. Os serviços de internet são derrubados e ElBaradei diz que está pronto para liderar a transição, enquanto Mubarak impõe toque de recolher e promete reformas.



Foto: Reprodução, Egyptian TV

Dia 29 de janeiro:
O presidente egípcio, Hosni Mubarak, designou um vice-presidente, o chefe da inteligência Omar Suleiman, pela primeira vez em 30 anos, e um novo primeiro-ministro, ambos com cargo de general, para tentar sufocar a rebelião já deixa mais de 90 mortos.

Dia 30 de janeiro:
O presidente egípcio, Hosni Mubarak, visitou um centro de operações do exército e ordenou que o toque de recolher no Cairo, Alexandria e Suez seja ampliado em uma hora. O toque de recolher, instaurado na sexta-feira devido aos protestos da população para exigir a renúncia de Mubarak, foi gradualmente ampliado, mas não é respeitado pela população. Neste domingo, as autoridades egípcias ordenaram à polícia antimotins que volte a atuar em todo o país, depois de dois dias nos quais esteve virtualmente ausente, quando ocorreram diversos saques enquanto o exército lidava com uma revolta popular.

Dia 31 de janeiro:

O movimento contra o regime convocou uma greve geral por tempo indeterminado. Durante a manhã, a emissora estatal egípcia anunciou a formação de um novo governo no país, substituindo o governo dissolvido na sexta-feira. Na mudança mais significativa, o criticado ministro do Interior — responsável pelas forças de segurança — foi substituído.

O exército anunciou que não usará a força contra os manifestantes e declarou que considera as demandas do povo "legítimas". O último provedor de internet egípcio ainda em funcionamento, o Grupo Noor, caiu nesta segunda-feira, deixando o país sem acesso à rede.

Dia 1º de fevereiro:

No oitavo dia de intensos protestos anti-governamentais, mais de 1 milhão de pessoas saíram às ruas de todo país protestando contra o governo, na chamada "Marcha do Milhão". Os conflitos podem ter deixado cerca de 300 mortos, segundo a ONU. No poder desde 1981, o presidente egípcio, Hosni Mubarak, garantiu que não irá tentar a reeleição, em discurso transmitido pela emissora de TV estatal.

Dia 2 de fevereiro:

Pela manhã, 500 partidários do presidente egípcio Hosni Mubarak se reuniram no Cairo para manifestar apoio ao governante. O vice-presidente, Omar Suleiman, pediu que manifestantes voltassem para casa devido aos confrontos violentos entre partidários e adversários do presidente. No fim da noite, o Ministério da Saúde do país confirmou três mortos e 639 feridos nos confrontos entre apoiadores e opositores do regime egípcio na Praça Tahrir. Apesar do número oficial, a rede Al Jazeera e jornais como The Guardian e El País falavam em mais de 1,5 mil feridos.

Dia 3 de fevereiro:
No 10º dia de protestos no Egito, o presidente Hosni Mubarak, disse em entrevista à rede de TV americana ABC que deseja deixar o poder, mas teme o caos que pode ser criado caso o faça. Já a Coalizão Nacional pela Mudança, que reúne os principais grupos de oposição do Egito, rejeitou qualquer diálogo com o regime antes da renúncia de Mubarak. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu ao governo e à oposição que comecem "imediatamente" negociações sérias para uma transição. No acesso à ponte que leva à Praça de Tahrir, onde estão os manifestantes, foram montadas barreiras. Nas ruas de Cairo, muito civis armados.

Dia 4 de fevereiro:
Centenas de milhares de egípcios saíram às ruas para participar do dia batizado de "Dia da Partida". Durante a noite, um intenso tiroteio foi ouvido na Praça Tahrir, no centro do Cairo, espalhando pânico na multidão de manifestantes antigovernamentais que se encontram reunidos no local.

Um jornal estatal informou que um jornalista egípcio morreu pelos ferimentos de tiros disparados durante confrontos entre partidários e opositores de Mubarak. O jornal Al-Ahram afirmou que Ahmed Mohammed Mahmud, do jornal Al-Taawun faleceu após permanecer em coma por quatro dias. Ele foi atingido por franco-atiradores há uma semana quando tirava fotografias a partir de seu apartamento, perto da Praça Tahrir.

Dia 5 de fevereiro:

A rede americana Fox News anunciou que o vice-presidente do país, Omar Suleiman, sobreviveu a uma tentativa de assassinato. A informação depois foi confirmada pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton. Homens armados teriam disparado contra o comboio de Suleiman e matado dois guarda-costas do vice-presidente. O presidente americano, Barack Obama, afirmou, depois de conversar com lideranças estrangeiras sobre a crise no Egito, que é necessário o início de "uma transição ordeira e pacífica" no governo do país.

Em medida destinada a isolar ainda mais o presidente Hosni Mubarak, o birô executivo do Partido Nacional Democrata anunciou sua demissão. O filho de Mubarak, Gamal, foi afastado da direção do partido. O presidente, por sua vez, reuniu-se com ministros do novo governo, pela primeira vez desde a destituição do gabinete anterior.

Dia 6 de fevereiro:

As principais forças de oposição do Egito foram convidads pelo vice-presidente Omar Suleiman para um diálogo com o governo. Foi decidido a criação de um comitê encarregado de realizar reformas constitucionais, a criação de um escritório para receber queixas relativas a presos políticos, o levantamento das restrições impostas aos meios de comunicação e a rejeição a "qualquer intromissão externa nos assuntos egípcios".

As propostas, no entanto, foram consideradas insuficientes pelo dirigente da Irmandade Muçulmana, que  afirmou que o encontro de hoje "foi apenas um primeiro passo".

A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, admitiu que o governante egípcio pode permanecer mais tempo no poder do que a oposição deseja para garantir a realização de eleições.

Dia 7 de fevereiro:
Apesar do início do diálogo, a oposição insiste na renúncia imediata de Mubarak no Egito. Pelo 14º dia consecutivo, a praça Tahrir, no centro do Cairo, continua ocupada pelos manifestantes que exigem que as negociações entre o regime e a oposição iniciadas no domingo não deixem de lado o objetivo de que Mubarak, no poder há 30 anos, deixe a Presidência.

Dia 8 de fevereiro:

O presidente Mubarak assina um decreto para a formação de uma comissão constitucional que vai revisar emendas constitucionais, e apresentar as emendas legislativas solicitadas. Os protestos continuam.

Dia 9 de fevereiro:

Um grupo integrante da rede Al-Qaeda — O Estado Islâmico do Iraque — pede aos manifestantes egípcios que promovam a guerra santa e estabeleçam um governo baseado na lei islâmica, informa o site de monitoração de endereços islâmicos, com sede nos Estados Unidos.

Dia 10 de fevereiro:
Hosni Mubarak anuncia mudanças na Constituição do país, porém não confirma sua esperada renúncia nesta quinta-feira, em pronunciamento na TV estatal. O vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, pediu que os manifestantes de rua e grevistas voltem para casa e ao trabalho, em seu primeiro discurso depois de o presidente Hosni Mubarak ter delegado a ele alguns poderes presidenciais. Os manifestantes permanecem protestando no Egito.

Dia 11 de fevereiro:

Hosni Mubarak renuncia após 18 dias de forte pressão popular e internacional. O ex-ditador egípcio, que ficou 30 anos no cargo, deixa o poder nas mãos do Conselho Supremo das Forças Armadas.




Egípcios amanheceram na Praça Tahrir festejando a notícia da queda de Mubarak - Marco Longari, AFP
Egípcios amanheceram na Praça Tahrir festejando a notícia da queda de Mubarak


Senador Pedro Simon dá "nota mil" à gestão de Dilma Rousseff

Gaúcho elogiou a presidente por retirar comando de Furnas do PMDB


Ainda que seja apontado como da ala “independente” do PMDB, simbolizada pelo grupo de parlamentares que criou o movimento Afirmação Democrática, o senador Pedro Simon fez nesta sexta um discurso empolgado com os primeiros dias de Dilma Rousseff na Presidência, surpreendendo os colegas. O gaúcho fez um aparte a discurso do líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR).

Simon chegou a chamar Dilma de “irmã” ao elogiá-la por sua postura firme com subordinados. O senador destacou alguns posicionamentos adotados pela nova presidente e disse ver que o padrão do governo dela é de “correção”. O senador gaúcho elogiou a postura da presidente na troca de comando em Furnas, que era administrada por um indicado do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Existiam suspeitas de corrupção na estatal.

— Quando ela rejeitou, não vamos citar nomes, a indicação do deputado do Rio envolvido naquele caso, nota mil para ela. Mostrou categoria, mostrou um estado de firmeza que realmente é importante — disse.










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