sábado, 17 de setembro de 2011

Basta estender a mão

Há 14 anos, quem deseja atravessar as ruas da Capital Federal em uma faixa de pedestre assiste aos carros pararem no momento em que uma das mãos é estendida. Em Brasília, 85% dos motoristas param o veículo assim que identificam o sinal criado para promover o respeito no trânsito.

Conforme estatísticas do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF), em muitos casos, não é preciso esperar mais do que três segundos para conseguir cruzar uma via. O apreço às linhas brancas já faz parte dos hábitos de quem vive na cidade.

? Esta não é uma conquista do governo, e, sim, da população de Brasília, que tem orgulho de dizer que para na faixa e fiscaliza se os motoristas estão respeitando a regra ? destaca o diretor-geral do Detran-DF, José Alves Bezerra.

Criada no governo Cristovam Buarque (1995-1998), a campanha Paz no Trânsito implementou o sinal utilizado até hoje nas ruas e avenidas do DF. Na inauguração da campanha, uma passeata reuniu, em um domingo, 25 mil pessoas nas ruas de Brasília. Diariamente, reportagens sobre o assunto buscavam mobilizar os moradores a estender a mão na faixa de pedestres.

O comportamento diferenciado dos motoristas do DF, no entanto, não foi induzido apenas pela ação da campanha. Especialistas avaliam que a instalação de redutores de velocidade e pardais contribuiu para reduzir os acidentes de trânsito.

Apesar das medidas adotadas pelo poder público, ainda não foi possível zerar os casos de imprudência nas faixas de segurança. Somente em 2010, sete pessoas morreram ao tentar atravessar nos redutos de pedestres. A meta do Detran é atingir, até 2020, um percentual de 99% de motoristas que param diante do apelo dos pedestres.

Na tentativa de tornar o sistema mais eficiente, o governo do DF também implantou inovações inspiradas em faixas de pedestre inglesas. São cinco linhas paralelas pintadas em caráter experimental, que possuem uma estrutura diferenciada, para facilitar a identificação do motorista e tornar a travessia mais segura. O modelo está sendo avaliado pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e, caso seja aprovado, poderá ser implantado em todo o país.

Nenhum comentário:

Postar um comentário