Uma longa e dolorosa espera
Santa Maria tem pouco mais da metade do número de especialistas recomendado pelo Ministério da Saúde
Além da dor e do desgaste físico, a espera por atendimento de saúde causa angústia. Se a procura for por alguma especialidade na rede pública municipal de Santa Maria, a demora pode levar meses. Luciane Niederauer de Vargas Quevedo, 35 anos, convive com esse problema há mais de seis anos. A peregrinação dela por exames, consultas e cirurgias com especialistas começou em 2005 e não tem data prevista para acabar.
Assim como a dona de casa, atualmente, 1,3 mil pessoas enfrentam a fila de espera do Sistema Único de Saúde (SUS) por atendimento especializado na cidade. Santa Maria tem pouco mais da metade do número geral de médicos especialistas que deveria ter, conforme o Ministério da Saúde (leia texto ao lado).
O drama de Luciane começou no momento de maior alegria da sua vida: a maternidade. Em 28 de fevereiro de 2005, ela deu à luz Glória Silvane, no Hospital Universitário de Santa Maria (Husm). Depois de complicações na cesariana, ela passou por outras duas cirurgias ? uma em março de 2005 e outra em outubro de 2009. Nesse meio tempo, além dos procedimentos, precisou de exames e consultas com especialistas e, hoje, espera pela terceira e quarta operações para voltar a ter uma vida normal.
As quatro pessoas da família de Luciane vivem com o salário de vendedor do marido dela (R$ 600 mensais) e do benefício recebido do programa Bolsa Família (R$ 102). Sem dinheiro para atendimento particular e sem convênios, Luciane depende totalmente da rede pública de saúde.
Cinco dias após a cesariana, a paciente teve de retornar ao hospital por causa de uma infecção e passou pela segunda cirurgia. No total, foram 22 dias de internação e sete meses de recuperação em casa, com consultas de retorno no Husm. Após um período de alívio, em 2006, Luciane começou a sentir dores na barriga. Médicos de unidades básicas e do Pronto-Atendimento (PA) Municipal achavam que se tratava de intestino preso. A situação se arrastou até 2009: a dor aumentando, novos exames e o mesmo diagnóstico.
Em 28 de setembro de 2009, Luciane foi à Unidade Rubem Noal, do bairro Tancredo Neves. O médico plantonista descobriu uma hérnia no umbigo da paciente e a encaminhou para o Husm, onde foi internada para a sua terceira operação. Antes que se sentisse livre do problema, na metade de novembro de 2009, novas hérnias apareceram. Depois de alguns retornos e vários exames, uma cirurgia foi marcada para janeiro de 2010. A espera por consultas com anestesista e cardiologista demorou quatro meses.
A consulta com cirurgiões gerais ocorreu em novembro de 2010, quando foi marcado retorno no final de dezembro. No dia combinado, Luciane foi informada que não poderia retirar as hérnias porque havia engordado demais. Era preciso fazer uma cirurgia bariátrica (popularmente conhecida como redução de estômago).
Na tentativa de emagrecer, três meses depois, a paciente conseguiu consulta com um endocrinologista e com um nutricionista e passou dos 160 quilos para os 129 quilos. Em janeiro de 2011, Luciane fez o pedido de cirurgia bariátrica na secretaria de Saúde do município e entrou na fila em Porto Alegre. Ela ainda fez um pedido na Justiça em fevereiro de 2011, que foi negado por falta de documentos. Em março deste ano, pediu um laudo médico ao Husm para encaminhar novo pedido à Justiça. De lá para cá, não houve nenhuma novidade sobre o caso.
? Eu tenho uma filha de 6 aninhos, quero criar ela. Tenho medo de morrer ? desabafa Luciane.
Assim como a dona de casa, atualmente, 1,3 mil pessoas enfrentam a fila de espera do Sistema Único de Saúde (SUS) por atendimento especializado na cidade. Santa Maria tem pouco mais da metade do número geral de médicos especialistas que deveria ter, conforme o Ministério da Saúde (leia texto ao lado).
O drama de Luciane começou no momento de maior alegria da sua vida: a maternidade. Em 28 de fevereiro de 2005, ela deu à luz Glória Silvane, no Hospital Universitário de Santa Maria (Husm). Depois de complicações na cesariana, ela passou por outras duas cirurgias ? uma em março de 2005 e outra em outubro de 2009. Nesse meio tempo, além dos procedimentos, precisou de exames e consultas com especialistas e, hoje, espera pela terceira e quarta operações para voltar a ter uma vida normal.
As quatro pessoas da família de Luciane vivem com o salário de vendedor do marido dela (R$ 600 mensais) e do benefício recebido do programa Bolsa Família (R$ 102). Sem dinheiro para atendimento particular e sem convênios, Luciane depende totalmente da rede pública de saúde.
Cinco dias após a cesariana, a paciente teve de retornar ao hospital por causa de uma infecção e passou pela segunda cirurgia. No total, foram 22 dias de internação e sete meses de recuperação em casa, com consultas de retorno no Husm. Após um período de alívio, em 2006, Luciane começou a sentir dores na barriga. Médicos de unidades básicas e do Pronto-Atendimento (PA) Municipal achavam que se tratava de intestino preso. A situação se arrastou até 2009: a dor aumentando, novos exames e o mesmo diagnóstico.
Em 28 de setembro de 2009, Luciane foi à Unidade Rubem Noal, do bairro Tancredo Neves. O médico plantonista descobriu uma hérnia no umbigo da paciente e a encaminhou para o Husm, onde foi internada para a sua terceira operação. Antes que se sentisse livre do problema, na metade de novembro de 2009, novas hérnias apareceram. Depois de alguns retornos e vários exames, uma cirurgia foi marcada para janeiro de 2010. A espera por consultas com anestesista e cardiologista demorou quatro meses.
A consulta com cirurgiões gerais ocorreu em novembro de 2010, quando foi marcado retorno no final de dezembro. No dia combinado, Luciane foi informada que não poderia retirar as hérnias porque havia engordado demais. Era preciso fazer uma cirurgia bariátrica (popularmente conhecida como redução de estômago).
Na tentativa de emagrecer, três meses depois, a paciente conseguiu consulta com um endocrinologista e com um nutricionista e passou dos 160 quilos para os 129 quilos. Em janeiro de 2011, Luciane fez o pedido de cirurgia bariátrica na secretaria de Saúde do município e entrou na fila em Porto Alegre. Ela ainda fez um pedido na Justiça em fevereiro de 2011, que foi negado por falta de documentos. Em março deste ano, pediu um laudo médico ao Husm para encaminhar novo pedido à Justiça. De lá para cá, não houve nenhuma novidade sobre o caso.
? Eu tenho uma filha de 6 aninhos, quero criar ela. Tenho medo de morrer ? desabafa Luciane.
| MAIS |
| Mamografia |
| A partir da próxima terça-feira, o mamógrafo do Hospital Bernadina Salles de Barros, em Júlio de Castilhos, passará a fazer exames pelo SUS. Além dos castilhenses, a população de Itaara, Jari, Pinhal Grande e Quevedos será beneficiada. A previsão é realizar 200 mamografias por mês |
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