quinta-feira, 5 de abril de 2012

Pelo menos 40 mil gaúchos podem ter benefícios do INSS revisados


Elevação de pagamento tem liminar na Justiça, mas órgão prepara recurso


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Pelo menos 40 mil gaúchos podem ter benefícios de auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e pensões recalculados nos próximos três meses.

O número é estimado pela Federação dos Trabalhadores Aposentados e Pensionistas do Rio Grande do Sul (Fetapergs).

A correção foi determinada pela 2ª Vara Federal Previdenciária de São Paulo, que concedeu liminar nesse sentido para pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no país. O INSS informou que vai recorrer da decisão.

A liminar a favor da ação civil pública, movida em conjunto pelo Ministério Público Federal em São Paulo e pelo Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos, vinculado à Força Sindical, estabelece prazo de 90 dias para o INSS implementar medidas necessárias para cumprir a ordem judicial, a partir da notificação, que deve ocorrer na próxima semana. Caso a decisão não seja cumprida no prazo, a multa diária é de R$ 10 mil.

No texto, a juíza federal Katia Herminia Martins Lazarano Roncada determina que sejam recalculados os benefícios que tinham como base 100% dos salários de contribuição e descumpriam a legislação vigente desde 1999, que orienta o cálculo com a média dos 80% dos maiores pagamentos.

Em todo o Brasil, estima-se que cerca de 600 mil segurados tenham benefícios elevados.

— O número foi divulgado extraoficialmente pelo INSS, mas acreditamos que seja ainda maior — projeta Tonia Galleti, advogada do sindicato dos aposentados e uma das autoras da ação.

O próprio INSS reconhece o erro e emitiu, em 2010, um ofício determinando que os funcionários das agências do instituto revejam os benefícios, mas apenas de quem solicitar. Desde agosto de 2009, os cálculos estariam sendo feitos corretamente.

— O problema é que a revisão do INSS muitas vezes considera apenas o último benefício pago. Isso pode fazer o cálculo seguir errado, se o segurado tiver ingressado mais de uma vez no sistema previdenciário — avalia o advogado Vilson Trapp Lamzarini, que representa a Fetapergs.

Presidente do INSS avisa que não cumprirá decisão

Mauro Hauschild, presidente do INSS, explica que a instituição recebe pedidos de revisão de benefícios de qualquer segurado, independentemente da decisão da Justiça. Ainda assim, será preparado um recurso contra a liminar.

— A princípio, não vamos cumprir nenhuma decisão. Ainda não fomos intimados, mas devemos apresentar recursos para suspender o efeito da liminar, avaliar exatamente o que devemos fazer e apresentar uma solução de médio e longo prazo — diz Hauschild.

O INSS não pode recalcular os benefícios de todos os segurados para saber quem tem direito a um pagamento maior, porque seria preciso avaliar caso a caso, argumenta o dirigente.

A decisão sobre o pedido de liminar determina apenas o recálculo, mas a ação civil pública também pede o julgamento de pagamentos retroativos. Ainda não há data para apreciação.

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