quinta-feira, 3 de maio de 2012

Governo confirma mudança na correção da poupança com movimento do juro básico


Com Selic abaixo de 8,5% ao ano, correção será de 70% da taxa mais TR


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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou nesta quinta-feira mudanças nas regras da caderneta de poupança. Segundo o ministro, quando a Selic cair abaixo de 8,5% ano, a poupança terá correção de 70% da taxa básica mais TR (Taxa Referencial). Com a Selic acima desse patamar, fica mantida a regra atual, de 0,50% ao mês mais TR. A alteração valerá a partir de sexta-feira para novas cadernetas ou novos depósitos em contas antigas.

Porém, só haverá mudança real no rendimento caso o Banco Central decida, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), fazer nova redução na taxa Selic. Desde 19 de abril, o juro básico está em 9%.

COMO É HOJE
A poupança rende 0,5% ao mês, mais a Taxa Referencial (TR), que é uma média calculada sobre rendimentos em CDB e atualmente está próxima de zero. O rendimento líquido é de pelo menos 6,17% ao ano. Dependendo da TR, pode subir.

ENTENDA O CENÁRIO
O PROBLEMA DOS APLICADORES
Quando o juro básico (Selic) cai muito, as aplicações em fundos de investimentos podem ter remuneração até menor do que a da caderneta de poupança, pois esta está livre de imposto. Em estudo da Anefac, foram feitos 20 cenários possíveis de rentabilidade dos fundos e da taxa de administração cobrada pelos bancos. Com a Selic a 9%, os fundos só são mais rentáveis em quatro cenários: fundo com taxa de 0,5% ao ano aplicado pelo período de seis meses a um ano (IR de 20%), um ano a dois anos (IR de 17,5%) e acima de dois anos (IR de 15%), além de fundo com taxa de 1% aplicado por mais de dois anos.

O PROBLEMA DO GOVERNO
Se houver uma corrida às cadernetas de poupança, os bancos terão de oferecer mais recursos do que ofertam atualmente para o mercado imobiliário, porque 65% dos recursos depositados na poupança têm de ser aplicados nesse mercado. Mas o maior problema para o governo é o fato de que grande parte dos fundos tem em suas carteiras títulos da dívida pública. Ao aplicar, o investidor ajuda a refinanciar essa dívida. Se não houver aplicadores – na prática, pessoas comprando títulos da dívida do governo –, o débito não é rolado, e é preciso desembolsar dinheiro para quitar.

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