Pacote do governo federal para impulsionar consumo poderá aumentar endividamento e congestionamentos
Incentivos à indústria automobilística embutem o risco de agravar problemas de trânsito e inadimplência
Lançados para acelerar a economia, os
incentivos do governo federal à indústria automobilística embutem o risco de
agravar dois problemas: o trânsito já estrangulado e o crescente endividamento
da população.
Com média de um carro para cada seis habitantes, o Brasil ainda tem espaço para aumento de vendas – em países desenvolvidos, há um carro para cada dois habitantes –, mas está no limite em grandes cidades.
Saiba mais
Os efeitos que o estímulo produz
Uma nova enxurrada de carros zero quilômetro nas ruas deve agravar a situação do trânsito nas metrópoles e do ambiente, alerta João Fortini Albano, professor de Sistemas de Transportes da UFRGS:
— Não há como preparar as cidades para o aumento anual médio de 6% na frota de veículos, como tem ocorrido no Brasil na última década.
Para suportar o crescimento, seria preciso acelerar a construção de viadutos, duplicações de avenidas e estacionamentos, além de criar alternativas como metrôs e sistemas de integração de modais.
Os projetos esbarram em orçamentos exíguos, afirma Albano: estudo da ONG Contas Abertas aponta que apenas 2% dos R$ 650 milhões previstos pelo PAC Mobilidade Urbana para 2011 foram desembolsados.
Outro risco da facilidade do crédito é o aumento no endividamento. Os bancos vêm alertando para a alta da inadimplência no setor automotivo. Os atrasos acima de 90 dias chegaram a 5,7% em março, indicador considerado preocupante.
Especialistas atribuem parte da alta às facilidades concedidas em dezembro de 2008, diante do temor de recessão com o estouro da bolha imobiliária dos EUA.
Medidas são comuns em períodos de crise
Economistas afirmam, no entanto, que boa parte da demanda reprimida foi atendida nos últimos três anos.
— Se os custos do financiamento caírem, haverá mais facilidade para os brasileiros pagarem as contas em dia — avalia Pedro Rossi, pesquisador do Centro de Conjuntura e Política Econômica da Unicamp.
O estímulo à cadeia automobilística é muito usado em períodos de crise porque o setor responde por 19% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial. Entre 2008 e 2011, período em que o setor recebeu incentivos, a frota de veículos cresceu 26% no Brasil.
— A cadeia automotiva reage rapidamente a incentivos ao financiamento — diz Antônio Jorge Martins, diretor do Centro de Estudos Automotivos (CEA).
Com média de um carro para cada seis habitantes, o Brasil ainda tem espaço para aumento de vendas – em países desenvolvidos, há um carro para cada dois habitantes –, mas está no limite em grandes cidades.
Saiba mais
Os efeitos que o estímulo produz
Uma nova enxurrada de carros zero quilômetro nas ruas deve agravar a situação do trânsito nas metrópoles e do ambiente, alerta João Fortini Albano, professor de Sistemas de Transportes da UFRGS:
— Não há como preparar as cidades para o aumento anual médio de 6% na frota de veículos, como tem ocorrido no Brasil na última década.
Para suportar o crescimento, seria preciso acelerar a construção de viadutos, duplicações de avenidas e estacionamentos, além de criar alternativas como metrôs e sistemas de integração de modais.
Os projetos esbarram em orçamentos exíguos, afirma Albano: estudo da ONG Contas Abertas aponta que apenas 2% dos R$ 650 milhões previstos pelo PAC Mobilidade Urbana para 2011 foram desembolsados.
Outro risco da facilidade do crédito é o aumento no endividamento. Os bancos vêm alertando para a alta da inadimplência no setor automotivo. Os atrasos acima de 90 dias chegaram a 5,7% em março, indicador considerado preocupante.
Especialistas atribuem parte da alta às facilidades concedidas em dezembro de 2008, diante do temor de recessão com o estouro da bolha imobiliária dos EUA.
Medidas são comuns em períodos de crise
Economistas afirmam, no entanto, que boa parte da demanda reprimida foi atendida nos últimos três anos.
— Se os custos do financiamento caírem, haverá mais facilidade para os brasileiros pagarem as contas em dia — avalia Pedro Rossi, pesquisador do Centro de Conjuntura e Política Econômica da Unicamp.
O estímulo à cadeia automobilística é muito usado em períodos de crise porque o setor responde por 19% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial. Entre 2008 e 2011, período em que o setor recebeu incentivos, a frota de veículos cresceu 26% no Brasil.
— A cadeia automotiva reage rapidamente a incentivos ao financiamento — diz Antônio Jorge Martins, diretor do Centro de Estudos Automotivos (CEA).
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