Chalita diz que Kassab tem medo da população
Candidato do PMDB à prefeitura de São Paulo também dá alfinetadas em Haddad pelas falhas ocorridas no Enem
Candidato do PMDB à prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita não poupou críticas a Gilberto Kassab, que, segundo ele, teria “abandonado” a cidade para se concentrar na criação do PSD. O escritor e deputado federal ainda disse que o prefeito está com medo de lançar um candidato próprio por causa da reação “negativa” da população.
Chalita conversou com o Portal da Band por telefone e disse estranhar a aproximação de Kassab com o PT.
O candidato ainda elogiou a escolha de Mercadante para o Ministério da Educação e aproveitou para dar alfinetas em Fernando Haddad pelas falhas no Enem. O deputado também falou de seus projetos e afirmou ter a intenção de reformular o centro da cidade para criar uma “Broadway paulistana”.
Deputado, como está o andamento da campanha?
Estamos fazendo reuniões para traçar os projetos com o PMDB. Procuramos convidar associações de bairro para discutir os problemas. É uma parte fundamental para a campanha, pois assim poderemos fazer um diagnóstico de sensibilidade de São Paulo. A partir daí, começaremos a definir as bandeiras.
O PMDB não tem um candidato forte na disputa pela prefeitura há um bom tempo. Qual será o foco desta campanha?
Temos de levar em consideração que vivemos em duas São Paulo: uma rica e desenvolvida e outra miserável. Primeiro é ter uma posposta de gestão diferenciada, que utilize a tecnologia para aproximar a população. Queremos mecanismos para que, por exemplo, uma reclamação de um buraco possa ser feita por torpedo, assim como a de uma enchente. A segunda questão é a da revitalização do centro, do Brás à Barra Funda. As principais cidades recuperaram seus centros, e nós queremos recuperar as ruas e calçadas para criar uma Broadway paulistana. E por fim criar um conceito diferenciado de gestão. Não podemos ter 200 mil crianças esperando por creche na maior cidade da América Latina. As empresas privadas têm uma gestão de primeira, e a gestão pública é ultrapassada.
Você diz que seu projeto foca na revitalização do centro. A ação da polícia na Cracolândia foi certa?
O fato de a polícia estar na Cracolândia é correto, assim como deveria estar na cidade inteira. Agora, com relação aos usuários de crack, isso não resolveu nada. As pessoas só vão ser ajudadas se tiverem uma oportunidade de tratamento e não ficar internada apenas um dia num albergue. Falta uma política que reintegre essas pessoas à sociedade. Essa ação pareceu mais uma demonstração midiática. O Serra já fez a mesma coisa na Cracolândia.
Como você avalia o governo de Gilberto Kassab e a aproximação do PSD com o PT?
O Kassab não fez um bom governo. A própria população disse isso. Fico triste de olhar pesquisas que dizem que 56% dos paulistanos gostariam de mudar de cidade. E isso porque é uma cidade abandonada. Esses números deixam o Kassab com medo de lançar um candidato. Ele deve buscar apoiar alguém. Agora, eu não sei se o PT vai querer aceitar o apoio dele. Nós não conversamos nem vamos buscar o PSD.
Você foi procurado pelo PT para ser o vice de Fernando Haddad, ex-ministro da Educação?
O PT sabe que nossa candidatura foi decidida pelo PMDB nacional, estadual e municipal. Temos uma candidatura consistente e então vamos correr bem. Fico feliz em ter o Haddad como candidato. É positivo para a cidade. Mas não aceitaria ser vice dele, da mesma forma que ele não aceitaria ser meu vice.
Já tem alguma aliança definida para a campanha?
Alianças... Isso vai demorar um pouco. Acho que até março ou abril. É muito difícil algum partido fechar com outro agora - o partido negocia com o PTB.
Dilma acertou em colocar Aloizio Mercadante no Ministério da Educação?
É um bom nome, professor da Unicamp e com um histórico importante na política. Eu acredito que a Dilma quis prestigiar a pasta, dando ela para um dos seus melhores nomes. O Mercadante foi candidato em São Paulo. Acredito que ele fará um bom trabalho... Porém, o Brasil tem se destacado na economia, mas ainda nos envergonhamos na educação. Espero que os problemas básicos sejam resolvidos com ele.
Essa crítica dos “problemas básicos” seria uma alfinetada em Haddad? Os problemas do Enem devem ser adotados pelos candidatos na campanha...
Eu acho que esse tema vai surgir na eleição... É inegável que o processo do Enem foi ruim. Acredito que ele deveria ter aprendido com os erros e ter criado um Enem regionalizado. Foram problemas graves que interferiram na confiança e no sonho dos adolescentes. Não é uma responsabilidade direta do Haddad, mas é ruim...
Nas pesquisas, você aparece com 6% das intenções de voto. O Celso Russomanno (PRB) e o Netinho de Paula (PC do B) são os candidatos que disputariam o segundo turno no momento. Acha que esses números mudarão quando começar o horário político?
Muda muito. Eu acho que quando começar o horário eleitoral, as pessoas fixam nos candidatos. Eu estou partindo com 6%, e sou conhecido por 10% da população. É um índice ótimo. O Russomanno foi candidato a governador na última eleição, o Netinho disputou o Senado e a Soninha já foi candidata a prefeita. As pesquisas agora não querem dizer muita coisa. A Dilma tinha 3% quando começou a disputa com o Serra, que tinha 40%. Mas é bom saber que seu nome é lembrado pela população.
Você esteve envolvido na última eleição presidencial em temas polêmicos com o aborto. O que espera para esta campanha?
É muito feio o que aconteceu no passado. Espero que isso não ocorra porque foi uma campanha mentirosa. Espero que os adversários tenham elegância, pois se entrarem neste nível vão perder, como aconteceu na última campanha com quem criou tudo isso. São Paulo tem muitos problemas e o uso de fofoca não fica bem para a democracia.
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