MASSACRE
Um difícil adeus
Sexta-feira foi dia de enterrar vítimas e de investigações
Nove das 12 vítimas foram enterradas nos cemitérios dos bairros de Realengo e Sulacap, fazendo com que todos os sepultamentos fossem concorridos e comoventes. Muitos passaram mal. A avó de Larissa dos Santos Atanázio, 13 anos, precisou de socorro médico. Ana Carolina Pacheco da Silva, 13, será cremada no sábado.
Quem não compareceu ao funeral demostrou seu pesar depositando flores e cruzes em memória dos mortos defronte ao muro da escola. Mensagens, bilhetes e pichações também homenageavam os adolescentes. Os mortos foram vítimas de Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, que na manhã de quinta-feira, passando-se por palestrante, entrou na escola e disparou contra os alunos antes de se matar. Outros 11 estudantes foram feridos, sendo que um teve alta e três estão internados em estado grave.
Na sexta-feira, peritos passaram o dia na escola para entender como foi a ação. Eles buscaram reconstituir o crime de acordo com as pistas encontradas, com imagens de câmeras de segurança e relatos de testemunhas. Enquanto isso, a Polícia Civil ouve familiares e conhecidos do atirador para traçar seu perfil psicológico, na tentativa de compreender os motivos que o levaram a praticar o crime.
JUSTIÇA
Condenado a nove anos de cadeia
SEGURANÇA
Sob vigilância
SEGURANÇA
Denúncia pronta na segunda-feira
De acordo com o promotor Sandro Marones, do MP de Restinga Seca, que também está trabalhando na denúncia, não é possível revelar detalhes pela prática de quais crimes os quatro bandidos serão denunciados, porém, o documento não será muito diferente do que foi elaborado pelo delegado Gabriel Zanella, de Júlio.
– Estamos analisando em conjunto, mas 90% será o que veio da Polícia (Civil) – revela o promotor Marones.
Os indiciados – Na segunda-feira, a Polícia Civil de Júlio de Castilhos indiciou os três PMs e o ex-militar suspeitos de cometer o assalto ao Sicredi. Os quatro responderão por crimes como tentativas de homicídio, porte ou posse ilegal de arma de uso restrito, formação de quadrilha e roubo.
O grupo indiciado é formado por William Vendruscolo de Cordova, 22 anos, soldado temporário do 1º Regimento de Polícia Montada (1ºRPMon), em Santa Maria, Hugo Guilherme Capieira Rodrigues, 22, Diego Antunes Soares, 27, ambos do Batalhão de Operações Especiais (BOE) de Porto Alegre, e Paulo Roberto do Nascimento, 24 anos, ex-militar. Parte dos policiais afirmou, em depoimento, que o assalto foi cometido para pagar dívidas.
SEGURANÇA
O primeiro tiro certeiro
Policial civil conteve assaltantes
– Parecia que era tudo contra mim (a ação dos bandidos), não contra o banco – lembra, referindo-se ao dia 25 de março, quando tiroteou com criminosos em um assalto à agência do Sicredi no distrito de Val de Serra, em Júlio de Castilhos (leia acima).
Até esse dia, ele só tinha dado tiros com sua pistola nos treinamentos. Jamais havia disparado contra uma pessoa. O destino colocou em seu caminho algozes que eram colegas de profissão. Três dos quatro assaltantes são policiais militares.
– O tiro policial não é para matar, é para parar o bandido. Para derrubá-lo. Queria atrasar a fuga deles. Pensei que escutando os estampidos, eles iriam fugir – diz Pigatto.
A infância
De família humilde, Pigatto nasceu e passou boa parte da infância no interior de Ivorá, município que hoje tem 2,1 mil habitantes. Ainda pequeno, perdeu o pai.
Viúva, a mãe de Pigatto dedicou-se a seguir com a agricultura, de onde tirava o sustento da família. Ela também arranjou forças para seguir em frente frequentando a Igreja Católica. Foi aí que o menino pegou gosto pela religião.
Quase padre
Pigatto decidiu, quando já era adulto, a estudar Filosofia. Fez vestibular no Centro Universitário Franciscano (Unifra), em Santa Maria, e foi aprovado. Em 2002, tornou-se filósofo. Mas foi durante o curso que ele quase entrou em um seminário e deu uma guinada em sua vida.
– Quase fui padre, mas, depois, pensei em ser brigadiano, e por fim, tornei-me policial civil – conta, aos risos.
O inspetor
O policial mal saiu da Acadepol e começou a estagiar na delegacia de Júlio de Castilhos. Em junho de 2008, foi nomeado inspetor em Palmeira das Missões, onde está até hoje. Os plantões de Pigatto são desgastantes: são 24 horas de trabalho para 72 de folga. E foi em uma dessas folgas que ele protagonizou o ato heroico em Val de Serra.
– Não adianta. Não era para ser a minha hora. Por pouco, o tiro não me pegou. Quem sai com uma arma daquelas (fuzil 7.62mm), sai para matar. Eles demoliram com meu carro – lembra.
A promoção
O titular da 3ª Região Policial, delegado Marcelo Arigony, diz que a chefia estadual da polícia está ciente da atitude de Pigatto:
– Sugerimos, no mínimo, uma promoção de louvor.
PLANTÃO
- Um forno micro-ondas, um capacete e um botijão de gás de 13 quilos foram furtados da cozinha de uma pensão, na Rua Amélia Rodrigues, no bairro Rosário. Segundo a Polícia Civil, um jovem de 24 anos, que reside no local, disse que os objetos foram furtados durante a madrugada de quinta-feira. A cozinha é uma área onde os moradores da pensão têm acesso, porém, não há sinais de arrombamento na porta.
- O foragido mais procurado da Serra foi preso na sexta-feira, em Porto Alegre. Michel Souza da Silva, o Michelzinho, foi preso em uma casa do bairro Lami, na zona sul da Capital. Com prisões preventivas decretadas, Silva foi capturado sem apresentar resistência. De acordo com Paulo Roberto Rosa da Silva, titular da Delegacia Regional da Polícia Civil caxiense, Silva estava com uma pistola 9mm, um revólver e um colete à prova de balas. Ele é suspeito de pelo menos três assassinatos, de comandar o assalto ao Banco do Brasil em Ipê, no começo do ano, e de roubar uma loja de armas em Caxias do Sul.
- O atropelador dos ciclistas do grupo Massa Crítica, Ricardo Neis, foi libertado do Presídio Central de Porto Alegre na tarde de sexta-feira. Na quinta-feira, a 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul concedeu o habeas corpus a Neis, autorizando a sua libertação. Com a aparência abatida, o atropelador deixou a penitenciária no carro de seu advogado e se recusou a falar com a imprensa. Ele foi encaminhado ao Presídio Central em 31 de março e responderá ao processo em liberdade. Neis foi denunciado pelo Ministério Público por 17 tentativas de homicídio triplamente qualificado. A promotora Lúcia Helena Callegari, autora da denúncia, alegou que, ao acelerar seu automóvel contra as vítimas, Neis deu início ao ato de matar e causou lesões corporais comprovadas pelos boletins de atendimento médico. O fato ocorreu na noite de 25 de fevereiro, quando Neis atropelou pelo menos 15 ciclistas com seu Golf, na Rua José do Patrocínio, na área central de Porto Alegre.
- Uma mulher de 25 anos foi assaltada após sair do trabalho, às 20h30min de quinta-feira. Ela caminhava pela Rua Maurício Cardoso, no bairro Medianeira, quando dois homens chegaram em uma moto, anunciaram o assalto e roubaram celular, óculos, documentos e cartões de crédito.
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