segunda-feira, 26 de março de 2012

Indústria de transformação deixa de abrir 15 mil vagas no Estado em 2012


Real valorizado, que favorece importação de produtos, leva empresários e trabalhadores a fazer manifestação nesta segunda-feira na Capital


Enviar para um amigo
 

Indústria de transformação deixa de abrir 15 mil vagas no Estado em 2012 Lauro Alves/Agencia RBS
Empresa de automação industrial em Porto Alegre viu a exportação cair de 70% para 5% da produção

Cercada pela valorização do real e invasão de importados, a indústria de transformação perde participação no Produto Interno Bruto (PIB) do país.

O enfraquecimento do setor produtivo é constatado na redução no ritmo do emprego. Somente no Rio Grande do Sul, cerca de 15 mil postos de trabalhos deixaram de ser abertos neste ano no segmento.

O cálculo é feito pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) levando em conta o volume financeiro que o setor deixa de produzir em razão da substituição da produção nacional por importados e pela redução das vendas externas.

Até domingo, o Desempregômetro (painel eletrônico em São Paulo que estima as vagas que deixam de ser gerados no país) ultrapassava a marca de 164 mil postos de trabalho. A participação da indústria de transformação gaúcha no bolo nacional chega a 9,5%.

— Em muitos casos, as indústrias não diminuem o faturamento, porque transferem a produção para fora do país e continuam vendendo, por isso é difícil quantificar os prejuízos. Mas, com isso, as indústrias não geram emprego e não investem em tecnologia no país, asfixiando a economia — explica Hernane Cauduro, vice-presidente da Abimaq.

Somente no setor gaúcho de máquinas e implementos agrícolas, responsável por quase 70% da produção nacional, o cáculo é de que 3,5 mil vagas deixaram de ser abertas neste ano.

— Há máquinas que entram no país com isenção total de importação. Não queremos esmolas do governo, mas sim igualdade para competirmos — afirma o vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do RS (Simers), Gilson Trennepohl.

O enfraquecimento da indústria de transformação nacional é constatado também na perda de participação no PIB. Em 2004, o setor era responsável por 24,5% das riquezas geradas no Estado. No ano passado, a participação caiu para 20,6%. No Brasil, o índice não passa de 14,6%.

— A indústria de transformação tem uma importância relativa maior no Rio Grande do Sul do que no Brasil, sendo os impactos aqui ainda mais significativos — explica o economista Jéfferson Colombo, da Fundação de Economia e Estatística (FEE).

Na tentativa de frear a desindustrialização, empresários e trabalhadores gaúchos se unem em um movimento nacional de defesa do setor. Com o nome de Grito de alerta: em defesa da produção e do emprego, manifestantes irão, na tarde de segunda-feira, do Largo Glênio Peres, na Capital, em direção ao Palácio do Piratini. Os participantes levarão uma lista de 22 reivindicações para entregar ao governador Tarso Genro.

— E levaremos os pleitos à presidente Dilma Rousseff. Estamos unidos em defesa de um projeto nacional — afirma Guiomar Vidor, presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil no RS.

Na terça-feira, o movimento ganhará força em Brasília, com o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Nacional, na Câmara Federal

Nenhum comentário:

Postar um comentário