"O Central deveria ser demolido", diz secretário estadual de Obras
Para Luiz Carlos Busato, reformar o presídio, considerado o pior do país, é jogar dinheiro fora
O secretário estadual de Obras Públicas, Irrigação e Desenvolvimento Urbano, Luiz Carlos Busato, acredita que reformar o Presídio Central de Porto Alegre é jogar dinheiro fora. Considerado o pior do Brasil, o presídio padece pela falta de manutenção e obras paradas, apesar de incontáveis promessas de melhorias.
— É uma obra sem fim. Estamos colocando dinheiro bom em uma obra ruim. O Central deveria se demolido e construído um outro em outro lugar — disse Busato.
Conforme promessa do secretário, até 3 de junho será concluída a reforma da rede de esgoto entre os pavilhões B e C, corroída por infiltrações de dejetos que inundam um dos pátios internos com resíduos cloacais. A obra é uma das principais falhas apontadas por autoridades.
Em uma vistoria ao presídio no dia 5, Ministério Público e Poder Judiciário constataram que a cadeia está à beira de um colapso por conta da degradação estrutural. A situação é tão crítica que a rede de esgoto cloacal — parte dela do tempo da construção da cadeia, há 53 anos — não suporta o volume de dejetos e espalha resíduos pelas paredes.
O projeto da rede de esgoto se arrasta por gabinetes desde 2008. Somente no ano passado, ficou oito meses parado na Superintendência do Serviços Penitenciários (Susepe), à espera de recursos. Em 2011, o MP encaminhou nove ofícios cobrando a conclusão da obras.
Governo promete outras melhorias:
Além de consertos na rede de esgoto no setor mais crítico do Presídio Central, a Secretaria de Obras promete concluir melhorias em salas de visitas, também cobradas pelos MP e Judiciário. Faz parte desse mesmo pacote a construção de uma cozinha que irá preparar refeições para os 10 pavilhões.
Em relação à cozinha, no entanto, a Secretaria de Obras assegura já ter concluído a sua parte, dependendo apenas de a Susepe montar a tubulação de gás – que precisaria ser testada durante 30 dias. A nova cozinha tem equipamentos intactos, instalados e nunca usados há quase dois anos, enquanto a atual opera em precárias condições, alimentada por caldeiras à lenha.
Apesar das promessas de melhorias, o Presídio Central apresenta uma série de outros problemas, ainda sem solução à vista. Em grande parte das galerias, a rede elétrica está condenada, exposta pela lado de fora das paredes, conectada a milhares de fios clandestinos – os chamados “gatos”. Para garantir luz adequada na cadeia, é preciso canalização nova e construir um subestação de energia. O custo é de R$ 8,5 milhões. O projeto ficou pronto em março, mas a Susepe ainda não obteve o dinheiro para a obra.
Outro projeto que fracassou é o de prevenção de incêndio. Há dois anos, o Corpo de Bombeiros notificou a Susepe sobre a situação de risco. Um plano foi montado, mas rejeitado pela prefeitura de Porto Alegre por não se adequar às regras. A única maneira de aprovar um projeto é reduzir o número de presos – atualmente são 4,6 mil homens, enquanto as vagas são 2,6 mil.
— É uma obra sem fim. Estamos colocando dinheiro bom em uma obra ruim. O Central deveria se demolido e construído um outro em outro lugar — disse Busato.
Conforme promessa do secretário, até 3 de junho será concluída a reforma da rede de esgoto entre os pavilhões B e C, corroída por infiltrações de dejetos que inundam um dos pátios internos com resíduos cloacais. A obra é uma das principais falhas apontadas por autoridades.
Em uma vistoria ao presídio no dia 5, Ministério Público e Poder Judiciário constataram que a cadeia está à beira de um colapso por conta da degradação estrutural. A situação é tão crítica que a rede de esgoto cloacal — parte dela do tempo da construção da cadeia, há 53 anos — não suporta o volume de dejetos e espalha resíduos pelas paredes.
O projeto da rede de esgoto se arrasta por gabinetes desde 2008. Somente no ano passado, ficou oito meses parado na Superintendência do Serviços Penitenciários (Susepe), à espera de recursos. Em 2011, o MP encaminhou nove ofícios cobrando a conclusão da obras.
Governo promete outras melhorias:
Além de consertos na rede de esgoto no setor mais crítico do Presídio Central, a Secretaria de Obras promete concluir melhorias em salas de visitas, também cobradas pelos MP e Judiciário. Faz parte desse mesmo pacote a construção de uma cozinha que irá preparar refeições para os 10 pavilhões.
Em relação à cozinha, no entanto, a Secretaria de Obras assegura já ter concluído a sua parte, dependendo apenas de a Susepe montar a tubulação de gás – que precisaria ser testada durante 30 dias. A nova cozinha tem equipamentos intactos, instalados e nunca usados há quase dois anos, enquanto a atual opera em precárias condições, alimentada por caldeiras à lenha.
Apesar das promessas de melhorias, o Presídio Central apresenta uma série de outros problemas, ainda sem solução à vista. Em grande parte das galerias, a rede elétrica está condenada, exposta pela lado de fora das paredes, conectada a milhares de fios clandestinos – os chamados “gatos”. Para garantir luz adequada na cadeia, é preciso canalização nova e construir um subestação de energia. O custo é de R$ 8,5 milhões. O projeto ficou pronto em março, mas a Susepe ainda não obteve o dinheiro para a obra.
Outro projeto que fracassou é o de prevenção de incêndio. Há dois anos, o Corpo de Bombeiros notificou a Susepe sobre a situação de risco. Um plano foi montado, mas rejeitado pela prefeitura de Porto Alegre por não se adequar às regras. A única maneira de aprovar um projeto é reduzir o número de presos – atualmente são 4,6 mil homens, enquanto as vagas são 2,6 mil.
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