Diretor do Dmae promete elevar índice de tratamento de esgoto na Capital para 80% até o final do ano
Flávio Presser explica que o percentual atual em Porto Alegre é de 27%, mas deve evoluir ao longo de 2012
Influência de algas no Guaíba tem deixado a água dos porto-alegrenses com cheiro e gosto
Além de fatores climáticos e ambientais, a falta de investimento em saneamento nas últimas décadas no Estado pode ser uma das causas da proliferação do micro-organismo que deu gosto e cheiro à água dos porto-alegrenses.
A alteração é fruto da multiplicação da cianobactéria, a partir de uma conjugação de fatores como elevação da temperatura e calmaria no Guaíba. O que potencializa essa disseminação são nutrientes como o fósforo, presente no esgoto que desemboca no estuário e nos rios que compõem sua bacia.
Responsável pelo tratamento da água consumida na Capital, o diretor-geral do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) de Porto Alegre, Flávio Presser, reconhece que o problema da proliferação das cianobactérias poderia ser minorado pelo aumento do índice de tratamento de esgoto na cidade.
Ele, porém, promete que o drama que atormenta os gaúchos deve ser solucionado até 2014. A seguir, confira trechos da entrevista concedida a Zero Hora:
Zero Hora — O baixo índice de tratamento de esgoto na região é apontado por especialistas com uma das principais causas da proliferação das cianobactérias, que atualmente dão gosto e cheiro ruins à água dos moradores de Porto Alegre. Investimentos nesta área não reduziriam a chance de o problema se repetir?
Flávio Presser — Sim, estamos fazendo isso. Mas o problema é mais amplo, pois a bacia atende a cerca de 5 milhões de pessoas, quase metade da população do Estado. Por isso, existem iniciativas que tentam agregar outros municípios da Região Metropolitana interessados em resolver o problema.
ZH — Mas o que Porto Alegre está fazendo efetivamente para reduzir a chance de as algas azuis voltarem a atormentar?
Presser — Estamos aumentando o percentual de esgoto tratado na cidade, que hoje é de 27%. Com o investimento no Programa Integrado Socioambiental (Pisa), que tratará a água dos arroio Salso, Cavalhada e Dilúvio, o percentual subirá para 77% já em agosto. Com obras de saneamento na Zona Norte, em bairros que lançam dejetos no Rio Gravataí, aumentaremos o índice para 80%, no final do ano.
ZH — Na prática, isso é o suficiente para descartar a proliferação desses micro-organismos?
Presser — Acredito que sim. Com isso, o esgoto de mais de 1,1 milhão de porto-alegrenses será tratado, o que é bastante quando se fala em uma população total na região de 5 milhões. As duas obras na Capital vão reduzir o esgoto junto à margem, onde mais se proliferam as algas, por serem águas mais rasas e tranquilas. Já os dejetos jogados pelo esgoto de outras cidades, que se somam ao problema, passam no canal e com mais velocidade.
ZH — Com as obras concluídas neste ano, o próximo verão será de água sem sabor e cheiro para os porto-alegrenses?
Presser — Não acredito que no próximo verão, pois será pouco tempo para a recomposição dessa parte da orla. Mas, para o outro verão, sim. E digo mais, não posso descartar que a proliferação volte a acontecer, mas, no futuro, o problemas será raro e bem localizado.
Z
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